quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

air


há um ar que transporto cá dentro e me pesa.
pesa.
pesa.
como a mochila carregada de livros que levo às costas, ele pesa.
pesa.
pesa.
não consigo respirá-lo, libertá-lo de mim, dizer-lhe para não me pesar.

o ar que trago cá dentro é aquele que dá fôlego ao beijo mais sincero, mais feliz, mais sentido, mais acanhado e mais partilhado.
enquanto o beijo se pensa a ele próprio, carrego no corpo o ar que me alimenta o coração.


éter da alma.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sentir


eu sou o meu corpo que caminha, os meus gestos que se repetem , a vida que se cumpre. às vezes sou apenas isto. sou isto e a minha própria ausência, um vazio dentro do vazio, o eco do silêncio, a ideia sem movimento. às vezes esse silêncio bruto grita-me dos confins da consciência, e eu reactivo as funções vitais do intelecto e grito mais alto que ele.

hoje tenho um grito emudecido pelo pudor do coração. hoje é desses dias, em que penso sem sentir. hoje recuso o movimento da alma.
ela só aceita dançar na suspensão do grito.



depois disso posso sentir?

por favor.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

agora


vou ali pôr a máscara para brincarmos um bocadinho. agora. tenho ganas de dançar naquele vestido rasgado, e de colocar a peruca do carnaval passado. agora. quero fingir que sou eu na minha outra pele, sem deixar cair a alma no chão. agora. quero sentir o conforto desta máscara que não tapa, mas destapa. agora. quero ser transparente no próprio fingimento.

há uma vontade que me habita. agora.